Gente

Isaltino de Jesus

Isaltino de Jesus é uma espécie de braço-direito… Eu não diria uma espécie, é mesmo o braço-direito de Jaime Ramos. É um homem nascido num bairro popular do Porto, Massarelos, vive agora no subúrbio, foi um dos que emigrou para o subúrbio, para Valongo, e é um homem terrivelmente discreto, terrivelmente dedicado ao seu chefe, a quem pensa que deve tudo na sua vida – as promoções, a própria entrada na polícia. É certo que Jaime Ramos se serve um bocadinho disso. De alguma maneira Isaltino é um homem que, sendo muito mais novo do que Jaime Ramos, é muito mais antiquado e muito mais conservador, ainda, do que o próprio Jaime Ramos, coisa que este agradece muito porque lhe faz jeito. Isaltino atende os seus telefones, trata de muitas das papeladas em que Jaime Ramos não quer sequer pensar. E Isaltino protege-o, protege-o como um pai, protege-o como um velho a quem ele chama muitas vezes «cabrão do velho», de vez em quando ele pensa, ao longo das histórias diz «cabrão do velho». E ele irrita-se muito com Jaime Ramos, mas tem uma atitude de desculpabilizar sempre o seu chefe, desculpabilizar sempre aquele homem que ele acha que é um génio e a quem dedica uma parte essencial da sua vida.




Jorge Alonso

Jorge Alonso foi durante muito tempo uma espécie de confidente de Jaime Ramos. Era o proprietário de um bar, na Foz, um bar irlandês. Foi quem ensinou Jaime Ramos a beber whisky irlandês, a distinguir, a saber conhecer as diferenças entre cada whisky. Foi ele quem o ensinou a beber cervejas, ensinando-o também a distinguir as cervejas, a provar as melhores cervejas. A explicar-lhe que na vida, tanto os bons whiskies como as boas cervejas, não são apenas whiskies e cervejas. São símbolos, são sinais. São uma espécie de metáforas de coisas saborosas. É um homem muito conservador, como a generalidade dos personagens a quem Jaime Ramos se vai ligando, a quem vai dedicando a sua amizade, e prometeu deixar-lhe em herança todas as garrafas de um certo whisky irlandês.




José Corsário

José Corsário é um polícia negro, cabo-verdiano, mulato. É filho de um músico cabo-verdiano que, no fundo, era apenas funcionário de uma repartição de Finanças da cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde – mas era um apaixonado de 'mornas' um apaixonado pela música. Depois da independência os pais preferiram ficar em Lisboa em vez de regressar a Cabo Verde mas José Corsário mantém com Cabo Verde uma relação muito especial. Todos os anos passa uma temporada em Cabo Verde, terra de que tem saudades apesar de nunca ter vivido realmente lá. E é uma espécie de memória permanente do Império colonial, este José Corsário, que trabalha com Jaime Ramos e é casado, ou que tem uma namorada que é Fátima, uma angolana de Benguela. E esta rede de relações acompanha sempre os livros de Jaime Ramos, todas as histórias de Jaime Ramos, que também protege bastante José Corsário, que é uma espécie de anjo negro da sua vida.




Olívia

Olívia é uma personagem recente na galeria das personagens que rodeia Jaime Ramos. Trabalha na polícia, é uma investigadora muito especial, tem um filho que ela vê cada vez menos, porque não pode, o filho foi crescendo, e ela vive sozinha. Tem uma namorada, que é uma mulher muito mais jovem do que ela. Andam as duas de motorizada pelo Porto. Têm uma relação muito cúmplice e querem-se bastante. E é uma personagem que Jaime Ramos protege também muito. Ela passou por vários reveses ao longo da sua vida, foi guarda florestal, foi funcionária judicial, enfim, até chegar à polícia passou por várias profissões, e é, nos livros, uma personagem cada vez mais importante e decisiva.




Rosa

Rosa é a eterna namorada de Jaime Ramos. Conheceram-se no princípio de Morte no Estádio, que é um livro de 1991, e nunca se casaram, nunca pisaram aquela fronteira que é viver na mesma casa. Vivem em apartamentos vizinhos. Um vive no primeiro andar, ela vive no terceiro. Tratam um do outro, respeitam-se muito um ao outro. Jaime Ramos é um homem muito distraído nessas coisas e Rosa é uma mulher muito dedicada mas também com o seu feitio e com o seu caráter intempestivo, muitas vezes. Às vezes há uma tensão porque Rosa quer programar uma dieta que é impossível para Jaime Ramos. De outras vezes ela tenta pô-lo na ordem obrigando-o a fazer férias, Jaime Ramos também tenta fugir, mas de qualquer modo eu acho que eles gostam bastante um do outro. Senão não tinham sobrevivido a, pelo menos, oito livros.




Detective Jaime Ramos by Francisco José Viegas